Chuva histórica deixa mortos e cenário de guerra em Minas Gerais
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| Foto: Lucas Gandra / BBC News Brasil |
As chuvas intensas em Minas Gerais provocaram uma das maiores tragédias climáticas recentes na região da Zona da Mata mineira, deixando mortos, desaparecidos e centenas de desabrigados. Cidades como Juiz de Fora e Ubá foram fortemente atingidas por enchentes, alagamentos e deslizamentos após um volume recorde de precipitação.
Segundo o Corpo de Bombeiros, ao menos 28 pessoas morreram e mais de 40 estão desaparecidas nas duas cidades.
Volume extremo de chuva causou enchentes rápidas
Em Juiz de Fora, o acumulado de chuva chegou a cerca de 80% da média prevista para todo o mês em apenas sete horas.
Já em Ubá, foram registrados aproximadamente 170 milímetros em cerca de três horas e meia. O rio que corta o município atingiu 7,82 metros e transbordou, provocando inundações em diversos bairros.
O avanço da água foi rápido e devastador, surpreendendo moradores durante a madrugada.
“Vi pessoas presas pedindo socorro”, relata morador
O gerente de e-commerce Lucas Gandra, morador da região da Beira Rio em Ubá, descreveu momentos de desespero.
Segundo ele, o alerta de enchente chegou pouco depois da meia-noite. Minutos depois, a água já invadia ruas e residências.
Moradores relataram cenas dramáticas, com pessoas presas dentro de casa pedindo ajuda enquanto carros, móveis e até caminhões eram arrastados pela força da correnteza.
De acordo com testemunhas, a cidade já enfrentou enchentes nos últimos anos, mas nunca com essa intensidade e alcance.
Destruição atinge comércios e deixa famílias desalojadas
Em Ubá, ruas ficaram completamente alagadas. Imóveis comerciais tiveram paredes danificadas, vidraças quebradas e estoques destruídos.
Empresas locais suspenderam as atividades por falta de infraestrutura para operar.
Já em Juiz de Fora, cerca de 20 imóveis foram soterrados e aproximadamente 440 pessoas ficaram desabrigadas, sendo acolhidas provisoriamente em escolas municipais.
A prefeitura decretou estado de calamidade pública, medida que permite acelerar ações emergenciais.
Cenário de guerra após recuo das águas
Com a diminuição do nível da água, moradores iniciaram a limpeza das residências e contabilizam os prejuízos.
Relatos descrevem ruas cobertas por lama, móveis destruídos e bairros inteiros interditados. A reconstrução deve ser lenta e depende de apoio público e solidariedade da população.
Fenômenos climáticos explicam tempestade histórica
Especialistas apontam que a tragédia foi causada por uma combinação de fatores meteorológicos raros.
Uma frente fria intensa, associada à formação de uma supercélula e à presença de um cavado atmosférico, criou condições ideais para a tempestade severa.
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, as supercélulas estão entre as formações mais perigosas, podendo provocar chuvas torrenciais, rajadas de vento, granizo e enchentes.
O fenômeno favoreceu a rápida formação de nuvens carregadas, aumentando significativamente o volume de precipitação em poucas horas.
Impacto social e alerta para eventos extremos
A tragédia reforça o alerta para a intensificação de eventos climáticos extremos no Brasil, exigindo investimentos em infraestrutura urbana, sistemas de alerta e políticas de prevenção.
Enquanto isso, moradores tentam reconstruir suas vidas após perdas materiais e humanas irreparáveis

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