El Niño preocupa autoridades: Fiocruz prevê alta da dengue em todas as regiões

El Niño pode aumentar casos de dengue em até 40% em 2027

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Governo considera os possíveis efeitos do fenômeno climático e aguarda análises de segurança para decidir sobre a retomada da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.

O Ministério da Saúde prevê aumento de 20% a 40% nos casos de dengue em 2027, diante da possibilidade de impactos do fenômeno climático El Niño. A estimativa considera as condições epidemiológicas da doença e os possíveis efeitos das mudanças climáticas sobre a transmissão do vírus.

Diante desse cenário, o governo federal também trabalha para retomar a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, cuja utilização foi suspensa em junho após registros de reações adversas graves.

Em entrevista nesta quarta-feira (4), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a pasta aguarda a conclusão das análises sobre a segurança do imunizante. Ainda não existe prazo definido para uma decisão sobre a retomada da vacinação.

Fiocruz prevê aumento da dengue em todas as regiões do Brasil

Um relatório divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no início de outubro também aponta possibilidade de crescimento dos casos de dengue em 2027.

Sem considerar os efeitos do El Niño, a estimativa é de aproximadamente 1,5 milhão de casos prováveis no próximo ano. O número é próximo ao registrado em 2025, quando o Brasil contabilizou 1,66 milhão de casos.

Em um cenário de El Niño forte, o estudo estima aumento da doença entre setembro de 2026 e o início de 2027 em todas as regiões brasileiras.

As maiores elevações projetadas são:

  • Sul: 138,2%;
  • Centro-Oeste: 98,4%;
  • Sudeste: 84,9%;
  • Norte: 68,9%;
  • Nordeste: 49,1%.

Esses percentuais correspondem ao cenário analisado pelo estudo para o período indicado e não representam uma projeção para todo o ano de 2027.

Segundo o painel do Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza 489.197 casos prováveis de dengue desde janeiro de 2026.

Ministério da Saúde aguarda análise para retomar vacina do Butantan

A possível retomada da vacina Butantan-DV está entre as prioridades mencionadas pelo ministro Alexandre Padilha. O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan e aplicado em dose única, teve sua utilização suspensa pelo Ministério da Saúde em 8 de junho, após o registro de 42 reações adversas graves, incluindo duas mortes.

O governo avalia os dados de segurança em conjunto com um comitê de especialistas. Segundo Padilha, existe a expectativa de que a vacina possa voltar a ser utilizada pelo SUS, pelo menos a partir de 2027.

A decisão, entretanto, depende da conclusão das análises sobre a segurança do imunizante.

Qdenga é a vacina contra dengue disponível atualmente no SUS

Atualmente, a Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda, é a vacina contra a dengue disponível na rede pública de saúde.

O Ministério da Saúde adquiriu aproximadamente 10 milhões de doses em 2024, por R$ 1,3 bilhão. A vacinação é oferecida a adolescentes de 10 a 14 anos.

Padilha afirmou que não está em discussão a ampliação dessa faixa etária no SUS, embora a Qdenga tenha registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas de 4 a 60 anos.

Já a vacina do Butantan recebeu aprovação da Anvisa no fim de novembro de 2025 para pessoas de 12 a 59 anos. No mês seguinte, o governo federal comprou 3,9 milhões de doses por R$ 367,9 milhões.

Os estudos apontaram proteção por cinco anos. Também havia expectativa de ampliar a capacidade de produção para 60 milhões de doses, em parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines.

A fabricação no exterior, entretanto, depende de autorização da Anvisa.

Dengue já provocou 368 mortes no Brasil em 2026

A vacinação em massa ganhou prioridade no Sistema Único de Saúde (SUS) após a epidemia de 2024, quando o Brasil registrou 6.321 mortes por dengue.

Em 2026, o Ministério da Saúde contabiliza 368 mortes pela doença, além de outras 116 que permanecem sob investigação.

A possibilidade de aumento dos casos em 2027 reforça a preocupação das autoridades sanitárias com a preparação dos serviços de saúde e o enfrentamento do mosquito Aedes aegypti.

Brasil apresentará ações de adaptação climática na COP31

As medidas adotadas pelo sistema público de saúde para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas também serão apresentadas pelo Brasil na COP31, que ocorre entre 9 e 20 de novembro, na Turquia.

Segundo Alexandre Padilha, o país levará informações sobre iniciativas de adaptação da rede de atendimento, incluindo a construção de unidades de saúde e hospitais com reservatórios de água maiores.

A preparação do SUS para eventos climáticos extremos é apontada como parte das estratégias para reduzir os impactos das mudanças ambientais sobre a saúde da população.


Por: Redação www.tmadicas.com.br Fonte: Inmet