Motorista de aplicativo pode gastar R$ 5,5 mil por mês
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| Foto: Imagem ilustrativa/Unsplash |
Combustível, aluguel e manutenção reduzem o lucro; aplicativo ajuda a controlar as despesas.
Trabalhar como motorista de aplicativo exige muito mais do que dirigir e aceitar chamadas. Embora os valores recebidos pelas corridas apareçam no extrato das plataformas, esse total não representa necessariamente o dinheiro que o profissional leva para casa. Despesas com combustível, manutenção, impostos, aluguel e desgaste do veículo podem consumir uma parcela significativa do faturamento.
Um levantamento divulgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) aponta que os custos mensais da atividade podem ultrapassar R$ 5,5 mil, dependendo da modalidade de trabalho. Diante dessa realidade, uma ferramenta desenvolvida por um motorista de São Paulo busca ajudar os profissionais a acompanhar receitas e despesas e identificar o lucro efetivo.
Custos mensais de motoristas podem superar R$ 5 mil
De acordo com as estimativas apresentadas no estudo, quem trabalha com veículo próprio pode ter despesas mensais de aproximadamente R$ 5.566. Já para os profissionais que utilizam carros alugados, o custo estimado chega a R$ 5.706.
Os cálculos consideram uma rotina de oito horas diárias, durante 22 dias por mês. Também foi adotada uma velocidade média de 25 quilômetros por hora, resultando em aproximadamente 4,4 mil quilômetros percorridos mensalmente.
Nesse cenário, o custo operacional de quem utiliza carro próprio fica próximo de R$ 1,26 por quilômetro rodado.
É importante destacar que esses números são estimativas baseadas nas condições consideradas pelo levantamento. Na prática, os gastos podem mudar conforme o modelo do automóvel, o preço dos combustíveis, a cidade, a quilometragem e as condições de utilização do veículo.
Motoristas trabalham mais e recebem menos por hora
Além das despesas elevadas, os dados apresentados também mostram diferenças entre motoristas de aplicativos e outros profissionais que conduzem automóveis.
Em 2025, os trabalhadores de plataformas digitais registraram uma jornada média de 45,9 horas por semana, enquanto os demais condutores de automóveis trabalharam aproximadamente 40,4 horas semanais.
A diferença também aparece na remuneração por hora:
- Motoristas de aplicativo: rendimento médio de R$ 14,40 por hora.
- Demais condutores: rendimento médio de R$ 16 por hora.
Com isso, os profissionais de aplicativos trabalharam cerca de cinco horas e meia a mais por semana e receberam aproximadamente 10% menos por hora.
Os números ajudam a demonstrar por que acompanhar somente o faturamento apresentado pelos aplicativos pode levar a uma percepção equivocada sobre os ganhos da atividade.
Aplicativo ajuda a calcular o lucro real das corridas
Para enfrentar essa dificuldade, o motorista e desenvolvedor Luís Carlos Colucci, de São Paulo, criou o aplicativo Visione Motorista, em parceria com Michele Barros Colucci.
A proposta da ferramenta é permitir que os profissionais registrem as corridas realizadas e os gastos relacionados ao trabalho. Com essas informações organizadas, o motorista consegue acompanhar melhor a movimentação financeira e entender quanto efetivamente sobra depois de pagar as despesas.
O controle é importante porque o valor recebido por uma corrida não representa lucro integral. Antes de considerar o dinheiro como ganho, é necessário descontar os custos envolvidos na prestação do serviço.
Como calcular quanto realmente sobra para o motorista
Mesmo sem utilizar uma ferramenta específica, o profissional pode começar a organizar as finanças com uma conta simples: somar tudo o que recebeu durante o período e subtrair os gastos necessários para trabalhar.
Entre os principais custos que precisam entrar no cálculo estão:
- Combustível: abastecimentos realizados durante a jornada.
- Aluguel do veículo: quando o motorista utiliza carro alugado.
- Manutenção: revisões, troca de óleo, pneus e reparos.
- Impostos e taxas: despesas relacionadas à atividade.
- Depreciação: perda de valor do automóvel com o passar do tempo e o uso.
- Outros gastos operacionais: despesas necessárias para manter o veículo em funcionamento.
Por exemplo, se um motorista recebe R$ 8 mil em corridas durante o mês, esse valor não significa que teve R$ 8 mil de lucro. É necessário descontar todas as despesas para descobrir o resultado financeiro da atividade.
Controle financeiro pode ajudar a evitar prejuízos
Acompanhar os gastos diariamente permite identificar quanto custa manter o veículo trabalhando e quais despesas comprometem mais o rendimento.
Também ajuda a avaliar se a quantidade de horas trabalhadas está compensando os custos envolvidos. Afinal, faturamento e lucro são valores diferentes, e essa distinção é essencial para quem depende das plataformas digitais como fonte de renda.
Ferramentas como o Visione Motorista surgem justamente para facilitar esse acompanhamento. Com registros organizados de corridas e despesas, o profissional pode ter uma visão mais clara da rentabilidade e tomar decisões com base nos próprios números.
Para quem trabalha diariamente nas ruas, conhecer o custo por quilômetro e o lucro efetivo pode ser tão importante quanto acompanhar o valor recebido por cada viagem.

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