Tese da AGU obriga autor de feminicídio a ressarcir pensão do INSS

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Tese da AGU obriga autor de feminicídio a ressarcir pensão do INSS

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Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) tem intensificado as chamadas ações regressivas por feminicídio, que buscam responsabilizar financeiramente condenados pelo crime a ressarcirem valores pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em pensões por morte.

O número de processos cresceu de forma expressiva nos últimos anos: foram 12 ações em 2023, 54 em 2024 e 100 no ano passado — um aumento superior a oito vezes no período.

Caso emblemático em Marília (SP)

No início deste mês, a 2ª Vara Federal de Marília condenou um homem a ressarcir o INSS pelos valores pagos a título de pensão por morte à filha da ex-companheira, vítima de feminicídio cometido por ele.

O réu foi condenado pelo Tribunal do Júri a 26 anos de reclusão.

Na época do crime, a criança tinha apenas dois anos de idade. O INSS concedeu o benefício a partir de setembro de 2021, no valor mensal de R$ 1.518, com previsão de pagamento até março de 2040.

Com a decisão judicial, o condenado deverá arcar com os valores já pagos e os futuros, assumindo o custo do benefício por ter sido o causador do dano.

O que são ações regressivas por feminicídio?

As ações regressivas são instrumentos jurídicos utilizados pela AGU para cobrar do responsável por um crime os valores que o Estado precisou desembolsar em decorrência da conduta ilícita.

No caso do feminicídio, a tese busca garantir que:

  • O agressor ressarça os cofres públicos;
  • A sociedade não arque com o custo do benefício;
  • O próprio réu não receba pensão em decorrência do crime.

Parceria com o CNJ amplia fiscalização

Em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a AGU pretende cruzar dados nacionais de condenações por feminicídio com informações do INSS.

Segundo a procuradora-geral Federal da AGU, Adriana Venturini, o objetivo é expandir a iniciativa para todas as 27 unidades da federação e evitar que qualquer benefício previdenciário decorrente de violência doméstica fique sem responsabilização.

Atualmente, a política já está implementada em 13 estados.

Impacto financeiro e social

Somente no ano passado, as ações regressivas cobraram 113 pensões por morte, com expectativa de recuperação de R$ 25 milhões aos cofres públicos.

Para a AGU, a medida não se limita ao ressarcimento financeiro, mas também tem caráter:

  • Preventivo
  • Pedagógico
  • De fortalecimento da cultura de responsabilização integral

Novas ações devem ser ajuizadas no próximo mês, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher.


Por: Redação www.tmadicas.com.br Fonte: Agência Brasil

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